Incrível. Quanto mais velha eu fico, mais besteiras eu faço.
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Se antes fazia porque não tinha consciência exata de certo e errado, hoje faço completamente ciente dos riscos e das consequências as quais me exponho. Aquela velha história de "Acorde arrependida, mas não durma com vontade", será que é assim mesmo? Se antes era falta de juízo, hoje é a sensação de que eu tô ficando velha e não posso despediçar nenhuma oportunidade. Tô falando de forma geral.
Larguei meu emprego estável de 6 anos e meu cargo de confiança por não me sentir mais feliz no lugar; trabalhando verdadeiramente por obrigação; me sentindo torturada quando havia necessidade de fazer hora-extra e me sentindo cada vez menos reconhecida. Joguei tudo pro alto por mim. E nessa hora alguém me condenou: "-Roberta, você foi infantil. Largar um emprego daqueles... Já pensou se todo mundo que trabalha por obrigação pedisse pra sair? O mundo viraria um caos". Lamento se mais de meio mundo trabalha por obrigação. Eu não. Sempre gostei de ser útil; de saber mais e mais coisas; de ter contato com as pessoas; de ser reconhecida; de vencer minhas próprias deficiências e tals. Sempre dei o melhor de mim. E quando a vontade de "dar o sangue pela empresa" sumiu, parte da minha identidade sumiu também. Dei um basta.
Se tratando de vida social, a relação é mais ou menos a mesma. "Não deixe pra amanhã o que pode ser feito hoje". Tô cansada? Amanhã eu durmo. Meu cartão de crédito tá estourando? Mês que vem me viro. Preciso acordar cedo amanhã? Tudo bem, eu vou direto. Na maior parte do tempo, ficar em casa me deprimi. Então eu vou, eu vivo, eu faço. Amanhã é outro dia e eu nem tenho certeza dele. Por isso, alguém beeem próximo de mim resolveu que eu sou "uma criança inconsequente".
Se o caso é relacionamento, o quadro se agrava um pouquinho mais. "Quem eu quero não me quer; quem me quer eu não quero". É bem isso. Tenho a terrível tendência de querer aquele tipo mais difícil; aquele que precisa ser conquistado; que dá trabalho. Dia desses saí com o amigo de um amigo. Um anjo em pessoa. Gentil demais; atencioso demais; carinhoso demais; pegajoso demais; não dava um passo sem me comunicar; falava amém pra tudo que eu dizia. Tá bom pra vc? Pra mim de jeito nenhum. Não sei nem o que fazer diante de uma pessoa dessas. Acho que por isso, meu amigo veio dizer que o tal amigo me achou uma pessoa fria. Eu prefiro o tipo que me deixa sem saber o que dizer; que é imprevisível; que aparece do nada; que me surpreende. Aí eu tenho aquela amiga que sempre fala: "-Roberta, casamento é coisa do passado mas ainda sim se é um sonho seu, não vá atrás de alguém pra você amar. Vá atrás de alguém que ame você". Não, não e não. Não posso e não quero acreditar que relacionamento algum seja ele namoro, casamento, união estável, possa ser de verdade e possa dar certo se não existe amor de ambas as partes.
Aí a amiga completa "-bobinha mesmo vc heein amiga?!".
Será que é assim mesmo que as coisas vem funcionando nos tempos de hoje? Que maturidade é ser racional em tempo integral, nunca cometer deslizes, ter um emprego odiado e trabalhar por obrigação, fazer só aquilo que é certo e aceitável e se conformar que relações nos dias de hoje movidas a interesses pessoais dos casais (como em não envelhecer sozinho, ter filhos, ter um companheiro(a)) são tão reais quantos àquelas minorias que são verdadeiramente movidas por amor?
Será?
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